Caso envolve moradores da Baixada Santista, região de São Paulo.

Advogado cuida de cerca de 30 denúncias envolvendo a empresa, que nega as acusações.

Bitcoin é uma moeda virtual que surgiu em 2010 Pixabay/Divulgação Moradores da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, acusam uma empresa de aplicar golpes envolvendo bitcoins, uma moeda virtual, após a companhia fechar as portas sem ressarcir os investidores.

A organização, que pediu recuperação judicial - suspensão de pagamentos por um período - nesta semana, provocou a revolta de pessoas que perderam dinheiro após o investimento.

A empresa nega as acusações e diz estar empenhada em ressarcir os clientes. Em entrevista ao G1 neste sábado (10), uma vítima, que prefere não se identificar, disse que fez contato com a empresa em junho de 2018.

Após o fechamento, começou a acreditar que fazia parte de um golpe.

“Perdi tudo”, desabafa. O morador de Santos, no litoral paulista, relata que queria investir para garantir uma segurança na aposentadoria.

Ele diz que os responsáveis pela empresa tinham uma rede de pessoas de confiança, que durante conversas com possíveis investidores tentavam conquistar a pessoa para que entrasse no esquema de investimento em bitcoins. De acordo com o investidor, ele percebeu que havia algum problema quando tentou retirar o dinheiro, no fim de novembro de 2019, após mais de um ano vinculado à companhia.

"Eles falavam que estavam com dificuldades para pagar, demorou, até que fecharam", explica. O G1 conversou com três moradores de Santos, e todos alegaram terem entrado no negócio por indicação de amigos.

Os três tinham contato direto com os responsáveis pela empresa, e relatam que houve dificuldade ao tentar se comunicar com eles neste período.

Dois deles procuraram a Justiça, e um deles afirmou que também vai procurar um advogado para pedir respostas pelo caso. A reportagem também entrevistou uma moradora da capital paulista que alega ter levado o golpe da empresa.

A investidora, que igualmente preferiu não se identificar, diz que foi abordada da mesma maneira e confiou por ter amigos que indicaram.

"Perdi 15 anos de trabalho, que foi tudo o que investi", diz a vítima, que procurou apoio de um advogado santista. O advogado Jorge Calazans, de 52 anos, disse ao G1 que cuida do caso de cerca de 30 pessoas.

Ele relata que, desde o pedido de recuperação judicial feito esta semana, houve revolta e dezenas de pessoas o procuraram para entrar com processo contra a empresa. “O pedido de recuperação judicial tem a finalidade de você se estruturar, ou seja, suspende os pagamentos, e a empresa se reestrutura para voltar a pagar.

É uma medida para evitar a falência”, explica o advogado. Calazans explica que há registro de pessoas que começaram a investir na empresa desde 2017, e que ela foi fechada no fim de 2019, alegando não ter condições de pagar quem tinha investido.

As denúncias surgiram neste período, quando o advogado começou a receber os casos e a Polícia Civil passou a investigar o que ocorria. O defensor alega que a empresa atuava como um clube elitizado, já que o investimento mínimo era de R$ 30 mil.

Ele explica que o serviço oferecido era de arbitragem de criptomoeda, que obtém lucro por meio das diferenças de valores oferecidas por uma mesma moeda.

Ele explica que a empresa promovia um esquema em que se comprava por um valor mais baixo e vendia por um maior, alegando que pagava o rendimento.

Por isso, era oferecido um valor de rendimento fixo aos investidores. Ainda segundo o advogado, a empresa sempre disse aos clientes que, por se tratar de investimento com criptomoedas, não seria regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou outro órgão de fiscalização.

O advogado diz que eles deveriam ter a autorização. “O que faziam é pagar o rendimento para as pessoas que estavam há mais tempo com o investimento dado por quem estava entrando”, alega o advogado.

Ele estima que pessoas que investiram tiveram uma média de R$ 125 mil de prejuízo.

Calazans informou que vai entrar com pedido judicial sobre o caso. Empresa que atuava no mercado de bitcoins é investigada Pixabay/Divulgação BWA O advogado José Luis Macedo, que representa a BWA Brasil, confirmou que a empresa tinha filial em Santos.

De acordo com ele, o mercado de bitcoins é volátil e a organização está empenhada em ressarcir todos os investidores. "Se a empresa não tivesse interesse em pagar os investidores, ela não apresentaria um plano de recuperação judicial", diz.

Conforme explica Macedo, o pedido foi essencial, porque mais de 50% dos negócios da plataforma eram feitos via Bitcoin Banco, que pediu recuperação judicial em novembro do ano passado. Conforme aponta o advogado, após a recuperação judicial do Bitcoin Banco, muitos investidores da BWA solicitaram saques, e a empresa ficou em uma situação muito ruim, não tendo como pagar todo mundo.

Então, fez o pedido de recuperação judicial para reorganizar e reestruturar a companhia. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) deferiu o pedido de recuperação da empresa BWA Brasil no último dia 8.

A decisão foi do juiz Marcelo Barbosa Sacramone, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, que definiu a empresa Lastro Consultores para administrar a recuperação do negócio. De acordo com o magistrado, o primeiro relatório financeiro deste processo deverá ser apresentado em 15 dias.

"...Especial atenção deverá ser dedicada à fiscalização das atividades das devedoras, o que também se estende ao período anterior à data do pedido, a fim de se apurar eventual conduta dos sócios e administradores que possam, culposa ou dolosamente, ter contribuído para a crise", disse o juiz na decisão. Ainda segundo o advogado, a empresa não conseguia dar retorno financeiro aos investidores desde o fim do ano passado, e a pandemia do novo coronavírus impediu a recuperação do negócio nesse primeiro semestre de 2020. "Quando você entra com uma recuperação judicial, você oferece um plano de ressarcimento daqueles valores.

O mercado de criptomoedas é como você aplicar em ações, tem a alta e a baixa.

A empresa tem um crédito já aplicado junto à recuperação judicial que é mais do que suficiente para atender essa demanda.

A BWA se expôs à Justiça apresentando a situação dela e reconhecendo todos os credores que tem.

Se fosse uma pirâmide, a Justiça não teria aceitado o plano de recuperação.

Todos os procedimentos adotados por ela na contabilidade, movimentação bancária, serão disponibilizados para o juiz", relata. A Polícia Civil informou ao G1 que o caso é investigado pela 1ª Delegacia do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), mas está em segredo de Justiça.